Fixação de critérios para a determinação do nível de invasão por acácias com base na percentagem de área invadida

  • Resumo:
    2,5m/ 5m (2-3: voluntariado)
    <1,2%(12m)/ <6%(30m)/ <25% (4-6: intervenção técnica)
    <75%/ <97%/ >97% (7-9: incontrolável)

Em outubro de 2020 foram propostos alguns critérios objetivos para a determinação do nível de invasão por espécies exóticas, nomeadamente acácias. Esses critérios são pouco uniformes (nuns casos baseiam-se no número de plantas, noutros casos referem-se à percentagem de área invadida) o que complica a sua memorização e aplicação. Além disso, seria conveniente que o tempo de transição entre níveis de invasão consecutivos fosse aproximadamente constante e esse objetivo não foi tido em conta.

Mantendo como referência os critérios originais (baseados na viabilidade da eliminação ou controlo das espécies exóticas invasoras), convém estabelecer uma escala aproximadamente equivalente que se baseie num único parâmetro relativamente fácil de observar - a percentagem de área invadida - e na qual o tempo de transição entre níveis consecutivos seja aproximadamente constante.

Admitindo que a percentagem de área ocupada segue aproximadamente um modelo logístico, efetue-se uma regressão logística com os pares (x,y) = (nível de invasão, percentagem de área ocupada) que foram estabelecidos nos critérios objetivos:

(2; 0,02%) - considerando acácias jovens em mancha densa elimináveis por descasque
(3; 0,1%) - idem
(4; 1,2%) - idem
(5; 6%) - idem
(6; 20%) - percentagem correspondente a uma mancha invadida com 50 metros de diâmetro em cada hectare
(8; 97%) - 4 manchas de flora autóctone com 10 metros de diâmetro em cada hectare
(10; 100%) - o nível 10 corresponderia a invasão total (o modelo logístico não prevê que o valor limite seja atingido, por isso atribui-se esse valor limite a um nível superior ao máximo da escala de invasão)

O modelo logístico que melhor se ajusta a estes dados é
y = c/(1+a.e^(-bx))
com c=100.96, a=1.5745x10^6, b=2.1538 (valores com 5 algarismos significativos)

Idealmente deveria obter-se c=100. Uma vez que a abcissa do último ponto não está bem estabelecida (teoricamente deveria ser +infinito), podemos ajustá-la de modo a obter um valor de c tão próximo de 100 quanto possível. No entanto, constata-se que essa modificação tem pouca influência no resultado final: considerando um último ponto com coordenadas (50; 100%) continuamos a obter c=100.88, agora com a=1.6593x10^6 e b=2.1626.

Comparando estes conjuntos de valores, concluímos que os parâmetros deverão ser considerados com apenas 2 ou 3 algarismos significativos. Adotar-se-á o modelo
y = 100/(1+1600000.e^(-2,16x))

Com base neste modelo obtemos aproximadamente os seguintes valores limite:

  • Nível 2:
    percentagem de área ocupada inferior a 0,005%,
    menos de 0,5 m2 por hectare.

  • Nível 3:
    percentagem de área ocupada inferior a 0,04%,
    menos de 4 m2 por hectare.

  • Nível 4:
    percentagem de área ocupada inferior a 0,4%,
    menos de 40 m2 por hectare.

  • Nível 5:
    percentagem de área ocupada inferior a 3%,
    menos de 300 m2 por hectare.

  • Nível 6:
    percentagem de área ocupada inferior a 20%,
    menos de 2000 m2 por hectare.

  • Nível 7:
    percentagem de área não ocupada superior a 30%,
    mais de 3000 m2 não ocupados por hectare.

  • Nível 8:
    percentagem de área não ocupada superior a 5%,
    mais de 500 m2 não ocupados por hectare.

  • Nível 9:
    área de vegetação autóctone inferior aos valores limite estabelecidos para o nível 8.

Estes valores afastam-se muito dos valores de referência nos níveis mais baixos, aproximando-se mais dos valores de referência nos níveis mais altos. No entanto, os níveis mais baixos são os mais relevantes para conservação da biodiversidade, sendo por isso aqueles que devem ser avaliados com maior rigor. Assim, repetir-se-á a regressão apenas com os seguintes pontos
(2; 0,02%)
(3; 0,1%)
(4; 1,2%)
(5; 6%)
(50; 100%)
considerando os valores de a e b obtidos com a regressão mas substituindo c por 100.
O modelo assim obtido, com 3 algarismos significativos nos parâmetros, é
y=100/(1+70600.e^(-1.68x))

Com base neste novo modelo obtemos aproximadamente os seguintes valores limite:

  • Nível 2: (0.0411)
    percentagem de área ocupada inferior a 0,04%,
    menos de 4 m2 por hectare,
    mancha circular com diâmetro inferior a 2,5m.

  • Nível 3: (0.221)
    percentagem de área ocupada inferior a 0,2%,
    menos de 20 m2 por hectare,
    mancha circular com diâmetro inferior a 5m.

  • Nível 4: (1.18)
    percentagem de área ocupada inferior a 1,2%,
    menos de 120 m2 por hectare,
    mancha circular com diâmetro não superior a 12m.

  • Nível 5: (6.04)
    percentagem de área ocupada inferior a 6%,
    menos de 600 m2 por hectare,
    mancha circular com diâmetro inferior a 30m.

  • Nível 6: (25.7)
    percentagem de área ocupada inferior a 25%,
    menos de 2500 m2 por hectare,
    mancha circular com diâmetro inferior a 60m.

  • Nível 7: (65.1)
    percentagem de área ocupada inferior a 65%,
    percentagem de área não ocupada superior a 35%.

  • Nível 8: (91.0)
    percentagem de área não ocupada superior a 9%,
    mais de 900 m2 não ocupados por hectare,
    mancha circular de vegetação autóctone com mais de 30m de diâmetro.

  • Nível 9:
    área de vegetação autóctone inferior aos valores limite estabelecidos para o nível 8.

Os valores obtidos para os níveis 2 a 5 são bastante razoáveis e coerentes com os critérios anteriores, mas os valores obtidos para os níveis 6 a 9 afastam-se bastante daquilo que tem sido considerado até agora na avaliação de nível de invasão (os novos critérios conduziriam a um nível de invasão superior em 1 unidade ao nível que tem sido aplicado até agora). Talvez não seja razoável aplicar uma única regressão logística a toda a gama de valores.

Para os níveis mais elevados, consideremos então a área não invadida em vez da área invadida. Sejam
x = 10 - (nível de invasão)
y = percentagem de área não invadida
e consideremos os pontos
(2; 3%): 97% de área invadida com nível 8
(4; 80%): 20% de área invadida com nível 6

Dois pontos são insuficientes para uma regressão logística, por isso temos de impor c=100, obtendo um modelo na forma y=100/(1+a.e^(-bx)), cujos parâmetros a e b terão de ser determinados manualmente resolvendo um sistema de equações.

O modelo assim obtido, com 3 algarismos significativos nos parâmetros, é
y=100/(1+4180.e^(-2.43x))

Com base neste novo modelo obtemos aproximadamente os seguintes valores limite:

  • Nível 5: (x=5, y=97.8)
    percentagem de área ocupada inferior ou igual a 2%.

  • Nível 6: (x=4, y=80)
    percentagem de área ocupada inferior ou igual a 20%.

  • Nível 7: (x=3, y=26)
    percentagem de área não ocupada superior a 25% (1/4).

  • Nível 8: (x=2, y=3.0)
    percentagem de área não ocupada superior a 3% (aprox. 1/30).

  • Nível 9:
    área de vegetação autóctone inferior aos valores limite estabelecidos para o nível 8.

Num caso ou no outro concluímos que o nível 6 tem sido sistematicamente aplicado em casos que deviam ser avaliados com nível 7 (parcelas onde a área invadida representa cerca de 50%) e que muitas vezes o nível 7 tem sido aplicado em casos que deviam ser avaliados com nível 8 (parcelas onde a área não invadida representa cerca de 10%).

Procurando um equilíbrio entre os valores previstos por estes modelos logísticos e os valores que têm sido aplicados até agora, tendo ainda o cuidado de que os valores sejam fáceis de memorizar, podemos considerar os seguintes valores limite:

  • Nível 2:
    percentagem de área ocupada inferior a 0,04%,
    menos de 4 m2 por hectare (ordem de grandeza: automóvel pequeno),
    mancha densa circular com diâmetro inferior a 2,5m.

  • Nível 3:
    percentagem de área ocupada inferior a 0,2%,
    menos de 20 m2 por hectare (ordem de grandeza: sala ou garagem média),
    mancha densa circular com diâmetro inferior a 5m.

  • Nível 4:
    percentagem de área ocupada inferior a 1,2%,
    menos de 120 m2 por hectare (ordem de grandeza: casa),
    mancha densa circular com diâmetro não superior a 12m.

  • Nível 5:
    percentagem de área ocupada inferior a 6%,
    menos de 600 m2 por hectare (ordem de grandeza: campo de futsal),
    mancha densa circular com diâmetro inferior a 30m.

  • Nível 6(!):
    percentagem de área ocupada inferior a 25% (1/4),
    menos de 2500 m2 por hectare,
    mancha circular com diâmetro inferior a 60m.

  • Nível 7(!):
    percentagem de área não invadida superior a 25% (1/4),
    por exemplo uma mancha circular não invadida com diâmetro superior ou igual a 60m.

  • Nível 8(!):
    percentagem de área não invadida superior a 3% (aprox. 1/30),
    por exemplo 4 manchas de flora autóctone (pelo menos 10m de diâmetro) por hectare.

  • Nível 9(!):
    área de vegetação autóctone inferior aos valores limite estabelecidos para o nível 8.

(!) A aplicação dos níveis 6, 7, 8 e 9 terá de ser realizada de forma mais criteriosa no futuro.
Foi também necessário rever as opções do campo "GRAU DE INVASÃO" (campo associado ao projeto Flora21 com vista à posterior inclusão das observações nos projetos LSA 0-1/ LSA 2-3/ LSA 4-6/ LSA 7-9).

Publicado por mferreira mferreira, 14 de março de 2021, 02:37 PM

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