Critérios objetivos para a determinação do nível de invasão por flora exótica

A escala de invasão que defini anteriormente,
https://www.inaturalist.org/journal/mferreira/40453-uma-escala-para-avaliar-a-presenca-de-especies-exoticas-invasoras-em-cada-local
foi considerada demasiado subjetiva por uma investigadora especializada em flora exótica invasora. Em resposta a esse comentário, procurei alguns critérios mais objetivos que permitissem definir cada nível de invasão e em seguida tentei definir critérios práticos que pudessem ser rapidamente aplicados no terreno. Eis o resultado dessa reflexão.

A distinção entre os níveis 0 e 1 baseia-se no risco de que a invasão já tenha corrido (sem ter sido detetada) ou venha a ocorrer durante os anos seguintes.

  • Critério objetivo: uma parcela deve ser classificada com nível de invasão superior ou igual a 1 se a probabilidade de ocorrência de invasão num prazo de 10 anos for superior ou igual a 30%.
  • Critério prático: uma parcela deve ser classificada com nível de invasão superior ou igual a 1 se
    . existirem acácias a menos de 100m em qualquer direção, ou
    . existirem acácias a menos de 300m do lado de cima da encosta, ou
    . existirem acácias a menos de 1000m ao longo de uma estrada ou caminho florestal, ou
    . existirem háqueas a menos de 200m em qualquer direção, ou
    . existirem háqueas a menos de 400m do lado de cima da encosta.

A distinção entre os níveis 2 a 6 baseia-se no esforço necessário para eliminar ou controlar a invasão.

Num determinado concelho com cerca de 10000ha pretende-se preservar uma área de flora autóctone inserida em terrenos baldios com cerca de 500ha. Cerca de metade desses terrenos baldios integra a Rede Natura 2000. Algumas pequenas áreas ainda estão livres de flora invasora, outras têm uma densidade de flora invasora tão alta que as torna praticamente irrecuperáveis. Consideremos então que cerca de 200ha daquele concelho (cerca de 2% da área do concelho) serão objeto de intervenção para controlo de flora invasora.

Numa ação de voluntariado compareceram cerca de 25 pessoas. Em futuros eventos poderão comparecer mais pessoas - eventualmente cerca de 50 - mas é improvável que consigamos um número tão grande de voluntários todas as semanas. Contemos então com cerca de 50 voluntários de 2 em 2 semanas, ou seja, uma média de 25 voluntários por semana. Se cada ação tiver a duração de 3h teremos 75h de trabalho voluntário por semana.

Não será possível realizar ações de voluntariado na floresta em algumas semanas do ano, nomeadamente nas épocas festivas, nos dias de temporal ou nos dias com risco elevado de incêndio. Contemos então com cerca de 25 semanas de voluntariado florestal por ano. Também não será viável manter uma ação intensiva na floresta durante muitos anos: se não forem obtidos resultados práticos ao fim de poucos anos os voluntários acabarão por desistir do projeto. Apontemos para um máximo de 4 anos - 100 semanas de voluntariado - até à obtenção de resultados significativos no controlo da flora invasora. Durante essas 100 semanas terão sido realizadas 7500h de trabalho voluntário (mais concretamente 7500 horas-pessoa).

Dividindo as 7500h pelos 200ha de intervenção obtemos 37,5 horas de voluntariado por hectare. Tendo em conta que a intervenção não terá a mesma intensidade em todas as parcelas, consideremos um máximo de 50h de trabalho voluntário por hectare. (Essas 50h corresponderão por exemplo a uma intervenção de 25 pessoas durante 2h, ou 10 pessoas em duas sessões de 2h30min, ou 5 pessoas em 5 intervenções de 2h...) Qualquer parcela de 1ha que exija mais do que 50h de trabalho voluntário deve considerar-se inapta para recuperação através de voluntariado: terá de ser objeto de uma intervenção especializada com meios técnicos apropriados (grau de invasão superior a 3).

  • Critério objetivo: qualquer parcela de 1ha cuja recuperação exija mais de 50h de trabalho voluntário (manual) deve ser classificada com grau de invasão superior a 3.

Uma parcela com grau de invasão 2 não deve exigir mais do que 2 intervenções de 1h por parte de um grupo com dimensão familiar (cerca de 5 pessoas).

  • Critério objetivo: qualquer parcela de 1ha cuja recuperação exija mais de 10h de trabalho voluntário (manual) deve ser classificada com grau de invasão superior a 2.
    (Os valores limite para os níveis 2 e 3 estão na razão de 1 para 5. Eventualmente considerar-se-á a mesma relação entre os valores limite para os níveis 4 e 5.)

Alguns tempos de referência:
. Descasque de uma acácia adulta (mais de 5 anos, mais de 7cm de diâmetro, mais de 3mm de espessura da casca, com algumas irregularidades ou cicatrizes): 12 minutos (5 árvores por hora).
. Descasque de uma acácia jovem (menos de 5 anos, tronco aproximadamente cilíndrico com menos de 7cm de diâmetro, casca ainda verde com menos de 3mm de espessura, sem irregularidades ou cicatrizes): 6 minutos (10 árvores por hora).
. Arranque de uma háquea ou acácia com cerca de 2 anos (cerca de 2cm de diâmetro): 12 segundos (300 plantas por hora).
. Arranque de uma acácia com 1 ano ou menos (diâmetro inferior ou igual a 1cm): 3 segundos (1200 plantas por hora).

Algumas densidades de referência:
. Acácias adultas (descasque): 0,5 árvores por metro quadrado (cerca de 1,5m de afastamento médio).
. Acácias jovens (descasque): 25 árvores por metro quadrado (cerca de 20cm de afastamento médio).
. Mancha densa de acácias com 2 anos ou menos (arranque): 100 plantas por metro quadrado (cerca de 10cm de afastamento médio).

O controlo da invasão numa parcela exigirá sempre mais do que uma intervenção em toda a área. Consideremos que metade do tempo disponível será utilizado na primeira intervenção: 25h no caso de uma parcela com invasão de nível 3, 5h no caso de uma parcela com invasão de nível 2.

25h de trabalho manual permitem controlar aproximadamente as seguintes áreas e números de plantas:
. 125 árvores adultas - cerca de 250 metros quadrados (aproximadamente um círculo com 18m de diâmetro): 2,5% da área da parcela; ou
. 250 árvores jovens - uma mancha densa com cerca de 10 metros quadrados (aproximadamente um círculo com 4 metros de diâmetro): 0,1% da área da parcela; ou
. uma mancha densa com 7500 plantas com 2 anos e 2cm de diâmetro - cerca de 75 metros quadrados (aproximadamente um círculo com 10 metros de diâmetro): 0,75% da área da parcela; ou
. uma mancha densa com 30000 plantas com 1 ano e 1cm de diâmetro - cerca de 300 metros quadrados (aproximadamente um círculo com 20 metros de diâmetro): 3% da área da parcela.

  • Critério prático: deverá ser classificada com nível de invasão superior a 3 qualquer parcela de 1ha com pelo menos
    . 125 árvores adultas: mancha com 18 metros de diâmetro ocupando 2,5% da parcela; ou
    . 250 árvores jovens: mancha densa com 4 metros de diâmetro ocupando 0,1% da parcela; ou
    . 7500 plantas com 2cm de diâmetro: mancha densa com 10 metros de diâmetro ocupando 0,75% da parcela; ou
    . 30000 plantas com 1cm de diâmetro: mancha densa com 20 metros de diâmetro ocupando 3% da parcela.

5h de trabalho manual permitem controlar aproximadamente as seguintes áreas e números de plantas:
. 25 árvores adultas - cerca de 50 metros quadrados (aproximadamente um círculo com 8m de diâmetro): 0,5% da área da parcela; ou
. 50 árvores jovens - uma mancha densa com cerca de 2 metros quadrados (aproximadamente um círculo com 1,5 metros de diâmetro): 0,02% da área da parcela; ou
. uma mancha densa com 1500 plantas com 2 anos e 2cm de diâmetro - cerca de 15 metros quadrados (aproximadamente um círculo com 4 metros de diâmetro): 0,15% da área da parcela; ou
. uma mancha densa com 6000 plantas com 1 ano e 1cm de diâmetro - cerca de 60 metros quadrados (aproximadamente um círculo com 9 metros de diâmetro): 0,6% da área da parcela.

  • Critério prático: deverá ser classificada com nível de invasão superior a 2 qualquer parcela de 1ha com pelo menos
    . 25 árvores adultas: mancha com 8 metros de diâmetro ocupando 0,5% da parcela; ou
    . 50 árvores jovens: mancha densa com 1,5 metros de diâmetro ocupando 0,02% da parcela; ou
    . 1500 plantas com 2cm de diâmetro: mancha densa com 4 metros de diâmetro ocupando 0,15% da parcela; ou
    . 6000 plantas com 1cm de diâmetro: mancha densa com 9 metros de diâmetro ocupando 0,6% da parcela.

No mesmo concelho com cerca de 10000ha e para a área de cerca de 200ha onde se pretende intervir, foi aprovado um projeto de controlo de flora invasora com o valor de cerca de 400000€, ou seja, cerca de 2000€ por hectare. Admitamos que cerca de metade deste valor servirá para pagar aos trabalhadores que irão intervir no terreno e que o custo por trabalhador é de cerca de 10€ por hora: nesse caso é possível assegurar cerca de 100 horas de trabalho especializado por hectare.

  • Critério objetivo: qualquer parcela de 1ha cuja recuperação exija mais de 100h de trabalho técnico especializado (com equipamento adequado) deve ser classificada com grau de invasão superior a 5.

Admitamos que as autarquias responsáveis pela área de execução do projeto (Câmara Municipal e Junta de Freguesia) conseguem disponibilizar uma equipa de 5 pessoas, 7 horas por dia, 30 dias por ano, durante 4 anos (o mesmo intervalo de tempo que considerámos para o voluntariado): são cerca de 4000 horas de trabalho técnico especializado para a totalidade dos 200ha, ou seja, cerca de 20 horas de trabalho por hectare. Acima deste valor deve considerar-se um grau de invasão superior a 4 (os meios técnicos necessários excedem os que habitualmente estão ao dispor das entidades locais). Note-se que os limiares que encontrámos para os níveis de invasão 4 e 5 estão novamente na razão 1:5, a mesma razão que existia entre os limiares para os níveis 2 e 3.

  • Critério objetivo: qualquer parcela de 1ha cuja recuperação exija mais de 20h de trabalho técnico especializado (com equipamento adequado) deve ser classificada com grau de invasão superior a 4.

Podemos pensar em três técnicas de controlo com meios especializados:
. cortes sucessivos,
. corte com remoção das toiças e raízes,
. corte com aplicação de herbicida.
Não consigo estimar o tempo necessário para o corte com aplicação de herbicida, nem o número de intervenções necessárias, e também tenho dificuldade em estimar o tempo necessário para remoção das toiças (além de que essa remoção pode ser problemática, já que implica a mobilização do solo com possível disseminação de sementes), por isso vou apenas tentar obter estimativas para o primeiro método.

Admitamos que um técnico especializado munido de motosserra consegue cortar uma acácia jovem (5cm de diâmetro) a cada 10 segundos (tendo em conta que parte do tempo será ocupado a desviar as acácias já cortadas para poder aceder às seguintes). Se a mancha de acácias jovens tiver uma densidade de 25 árvores por metro quadrado, serão necessários cerca de 4 minutos por metro quadrado. Terão de ser efetuados vários cortes posteriores até que as plantas percam o vigor, mas nesses cortes serão cortados rebentos com menor diâmetro, dureza e altura. Admitamos que é possível cortar 1 metro quadrado desses rebentos em 1,5 minutos e que serão necessários 4 cortes de rebentos até que as plantas percam o vigor e acabem por morrer: no total dos 1+4 cortes terão sido despendidos 10 minutos de trabalho metro quadrado. Uma hora de trabalho permitirá a eliminação das acácias em 6 metros quadrados.
. Com 100 horas de trabalho por hectare será possível eliminar as acácias jovens em 600 metros quadrados, ou seja, 6% da parcela, correspondendo por exemplo a uma mancha circular de acácias jovens com cerca de 28 metros de diâmetro numa parcela de 1ha.
. Com 20 horas de trabalho por hectare será possível eliminar as acácias jovens em 120 metros quadrados, ou seja, 1,2% da parcela, correspondendo por exemplo a uma mancha circular de acácias jovens com cerca de 12 metros de diâmetro numa parcela de 1ha.

  • Critério prático: deverá ser classificada com nível de invasão superior a 5 qualquer parcela de 1ha com uma ou mais manchas densas de acácias jovens (cerca de 4 anos, 5cm de diâmetro do tronco) ocupando pelo menos 6% da área da parcela (por exemplo uma mancha com diâmetro superior ou igual a 30 metros).
  • Critério prático: deverá ser classificada com nível de invasão superior a 4 qualquer parcela de 1ha com uma ou mais manchas densas de acácias jovens (cerca de 4 anos, 5cm de diâmetro do tronco) ocupando pelo menos 1,2% da área da parcela (por exemplo uma mancha com diâmetro superior ou igual 12 metros).

Para distinguir entre nível 6 ou superior a 6 há que avaliar o trabalho necessário para realizar o controlo da flora invasora ao longo da interface entre a mancha invadida e a mancha de flora autóctone. Observo no terreno que em cerca de 3 anos uma mimosa isolada gera uma mancha com cerca 6 metros de diâmetro: radialmente a mancha avança cerca de 1m por ano. Nos quatro anos que estamos a considerar como referência, a mancha irá avançar cerca de 4 metros. Este avanço dar-se-á nomeadamente através de germinação, a qual deverá ser combatida por arranque. Se ocorrer a germinação de 100 mimosas por metro quadrado e o arranque de cada uma delas demorar cerca de 3 segundos, a eliminação das mimosas germinadas em cada metro quadrado irá demorar cerca de 300 segundos, ou seja, 5 minutos. Numa hora será possível eliminar as mimosas em cerca de 12 metros quadrados e em 50 horas será possível eliminar as mimosas em cerca de 600 metros quadrados. Dividindo esta área pela largura média de 4 metros, concluímos que será possível controlar uma interface com cerca de 150 metros de extensão, o que corresponde por exemplo ao perímetro de uma mancha com cerca de 48 metros de diâmetro. Como o perímetro é diretamente proporcional ao diâmetro, isto é equivalente à existência de várias manchas circulares cuja soma dos diâmetros seja de 48 metros.

  • Critério prático: deverá ser classificada com nível de invasão superior a 6 qualquer parcela de 1ha onde exista uma mancha de mimosas com pelo menos 50m de diâmetro ou várias manchas cuja soma dos diâmetros seja superior ou igual a 50 metros.

A distinção entre os níveis 7, 8 e 9 baseia-se na diversidade de espécies autóctones ainda existentes no local e não no esforço necessário para controlar a invasão, pois nesses três níveis assume-se que a invasão é incontrolável.

Resumo dos critérios já referidos

NÍVEL 0

  • Critério objetivo: não foram observadas espécies exóticas com comportamento invasor e o risco de invasão num prazo de 10 anos é inferior a 30%.
  • Possível critério prático (passível de revisão) - devem ser cumpridas cumulativamente as condições 1-5:
    1a) inexistência de acácias a menos de 100m em qualquer direção, em terreno fracamente arborizado, ou
    1b) inexistência de acácias a menos de 70m em qualquer direção, em terreno densamente arborizado;
    2a) inexistência de acácias a menos de 300m do lado de cima da encosta, em terreno fracamente arborizado, ou
    2b) inexistência de acácias a menos de 150m do lado de cima da encosta, em terreno densamente arborizado;
    3) inexistência de acácias a menos de 1000m ao longo de uma estrada ou caminho florestal;
    4a) inexistência de háqueas a menos de 250m em qualquer direção, em terreno fracamente arborizado, ou
    4b) inexistência de háqueas a menos de 150m em qualquer direção, em terreno densamente arborizado;
    5a) inexistência de háqueas a menos de 400m do lado de cima da encosta, em terreno fracamente arborizado, ou
    5b) inexistência de háqueas a menos de 250m do lado de cima da encosta, em terreno densamente arborizado.

NÍVEL 1

  • Critério objetivo: não foram observadas espécies exóticas com comportamento invasor mas o risco de invasão num prazo de 10 anos é superior ou igual a 30%.
  • Situações que podem corresponder a este nível (valores passíveis de revisão):
    1a) existência de acácias a menos de 100m em qualquer direção, em terreno fracamente arborizado;
    1b) existência de acácias a menos de 70m em qualquer direção, em terreno densamente arborizado;
    2a) existência de acácias a menos de 300m do lado de cima da encosta, em terreno fracamente arborizado;
    2b) existência de acácias a menos de 150m do lado de cima da encosta, em terreno densamente arborizado;
    3) existência de acácias a menos de 1000m ao longo de uma estrada ou caminho florestal;
    4a) existência de háqueas a menos de 250m em qualquer direção, em terreno fracamente arborizado;
    4b) existência de háqueas a menos de 150m em qualquer direção, em terreno densamente arborizado;
    5a) existência de háqueas a menos de 400m do lado de cima da encosta, em terreno fracamente arborizado;
    5b) existência de háqueas a menos de 250m do lado de cima da encosta, em terreno densamente arborizado.

NÍVEL 2
Critério objetivo: foram observadas no local espécies exóticas com comportamento invasor, passíveis de serem eliminadas com um máximo de 10h de trabalho voluntário manual.

Possíveis critérios práticos (passíveis de revisão), sendo os mais fiáveis aqueles que se baseiam no número de plantas:

  • Acácias adultas (mais de 5 anos, mais de 7cm de diâmetro, mais de 3mm de espessura da casca, com algumas irregularidades ou cicatrizes), elimináveis por descasque:
    . no máximo 25,
    . uma ou mais manchas totalizando 50 metros quadrados,
    . mancha única com 8 metros de diâmetro,
    . 0,5% de área ocupada.

  • Acácias jovens (menos de 5 anos, tronco aproximadamente cilíndrico com menos de 7cm de diâmetro, casca ainda verde com menos de 3mm de espessura, sem irregularidades ou cicatrizes), elimináveis por descasque:
    . no máximo 50,
    . uma ou mais manchas densas totalizando 2 metros quadrados,
    . mancha densa única com 1,5 metros de diâmetro,
    . 0,02% de área ocupada.

  • Acácias com menos de 2 anos (caule com cerca de 2cm de diâmetro), elimináveis por arranque:
    . no máximo 1500,
    . uma ou mais manchas densas totalizando 15 metros quadrados,
    . mancha densa única com 4 metros de diâmetro,
    . 0,15% de área ocupada.

  • Acácias com 1 ano ou menos (caule com cerca de 1cm de diâmetro), elimináveis por arranque:
    . no máximo 6000,
    . uma ou mais manchas densas totalizando 60 metros quadrados,
    . mancha densa única com 9 metros de diâmetro,
    . 0,6% de área ocupada.

NÍVEL 3
Critério objetivo: foram observadas no local espécies exóticas com comportamento invasor, passíveis de serem eliminadas com um máximo de 50h de trabalho voluntário manual.

Possíveis critérios práticos (passíveis de revisão), sendo os mais fiáveis aqueles que se baseiam no número de plantas:

  • Acácias adultas (mais de 5 anos, mais de 7cm de diâmetro, mais de 3mm de espessura da casca, com algumas irregularidades ou cicatrizes), elimináveis por descasque:
    . no máximo 125,
    . uma ou mais manchas totalizando 250 metros quadrados,
    . mancha única com 18 metros de diâmetro,
    . 2,5% de área ocupada.

  • Acácias jovens (menos de 5 anos, tronco aproximadamente cilíndrico com menos de 7cm de diâmetro, casca ainda verde com menos de 3mm de espessura, sem irregularidades ou cicatrizes), elimináveis por descasque:
    . no máximo 250,
    . uma ou mais manchas densas totalizando 10 metros quadrados,
    . mancha densa única com 4 metros de diâmetro,
    . 0,1% de área ocupada.

  • Acácias com menos de 2 anos (caule com cerca de 2cm de diâmetro), elimináveis por arranque:
    . no máximo 7500,
    . uma ou mais manchas densas totalizando 75 metros quadrados,
    . mancha densa única com 10 metros de diâmetro,
    . 0,75% de área ocupada.

  • Acácias com 1 ano ou menos (caule com cerca de 1cm de diâmetro), elimináveis por arranque:
    . no máximo 30000,
    . uma ou mais manchas densas totalizando 300 metros quadrados,
    . mancha densa única com 20 metros de diâmetro,
    . 3% de área ocupada.

NÍVEL 4
Critério objetivo: a eliminação das espécies exóticas com comportamento invasor requer mais de 50h de trabalho voluntário manual, mas não mais de 20h de trabalho técnico especializado com equipamento adequado.

Possíveis critérios práticos (passíveis de revisão), sendo os mais fiáveis aqueles que se baseiam no número de plantas:

  • Acácias jovens (cerca de 4 anos, tronco com cerca de 5cm de diâmetro), elimináveis por cortes sucessivos:
    . no máximo 3000,
    . uma ou mais manchas densas totalizando 120 metros quadrados,
    . mancha densa única com 12 metros de diâmetro,
    . 1,2% de área ocupada.

NÍVEL 5
Critério objetivo: a eliminação das espécies exóticas com comportamento invasor requer mais de 50h de trabalho voluntário manual e mais de 20h de trabalho técnico especializado com equipamento adequado, mas não mais de 100h de trabalho técnico especializado.

Possíveis critérios práticos (passíveis de revisão), sendo os mais fiáveis aqueles que se baseiam no número de plantas:

  • Acácias jovens (cerca de 4 anos, tronco com cerca de 5cm de diâmetro), elimináveis por cortes sucessivos:
    . no máximo 15000,
    . uma ou mais manchas densas totalizando 600 metros quadrados,
    . mancha densa única com 30 metros de diâmetro,
    . 6% de área ocupada.

NÍVEL 6
Critério objetivo: a eliminação das espécies exóticas com comportamento invasor requer mais de 100h de trabalho técnico especializado mas para prevenir a expansão da mancha serão suficientes 50h de trabalho voluntário manual a cada 4 anos (cerca de 12 horas anuais).

Possíveis critérios práticos (passíveis de revisão), sendo os mais fiáveis aqueles que se baseiam no número de plantas:

  • Acácias adultas com capacidade para produzir semente:
    . uma ou mais manchas com perímetro total inferior ou igual a 150 metros,
    . uma ou mais manchas sendo a soma dos seus diâmetros inferior a 50 metros,
    . mancha única com diâmetro superior a 25 metros mas inferior a 50 metros.

NÍVEL 7
Critério objetivo: a eliminação das espécies exóticas com comportamento invasor requer mais de 100h de trabalho técnico especializado e o controlo da expansão da mancha requer mais de 12 horas de trabalho manual voluntário por ano, mas ainda existem pequenas manchas de vegetação autóctone que cumprem cumulativamente os seguintes critérios:
1) estão expostas à luz solar direta,
2) nenhuma espécie autóctone ocupa mais de 50% da área da mancha,
3) a invasão total dessas manchas demorará pelo menos 5 anos.

Possíveis critérios práticos (passíveis de revisão):

  • Em áreas invadidas por acácias, a área invadida é superior ou igual a 20% mas existe uma ou mais manchas de vegetação autóctone cumprindo cumulativamente as seguintes caraterísticas:
    1) diâmetro superior ou igual a 10 metros;
    2) diâmetro superior ou igual ao dobro da altura média das acácias envolventes;
    3) presença de pelo menos 2 espécies autóctones vivazes (por exemplo 2 espécies de entre medronheiro, sobreiro, carvalhiça, urzes, giestas, aderno, folhado).

NÍVEL 8
Critério objetivo: ainda existem pequenas manchas de vegetação autóctone com diâmetro superior ao dobro da altura das espécies autóctones mais altas, mas as manchas de vegetação autóctone não cumprem os critérios correspondentes ao nível 7, ou seja,
. não estão expostas à luz solar direta (estão sujeitas a ensombramento pelas espécies exóticas invasoras), ou
. existe uma única espécies autóctone claramente dominante (ocupando mais de 50% da área da mancha), ou
. a invasão total dessas manchas demorará menos de 5 anos.

Possíveis critérios práticos (passíveis de revisão):

  • Em áreas invadidas por acácias adultas, pode considerar-se que a invasão total ocorrerá em menos de 5 anos se o diâmetro das manchas de vegetação autóctone for inferior a 10 metros.

NÍVEL 9
Critério objetivo:
O ecossistema atingiu um novo estado estacionário onde as espécies exóticas invasoras são dominantes: em toda a "quadrícula" de 1ha apenas permanecem as espécies autóctones que conseguem coexistir com as espécies exóticas invasoras a longo prazo (10 anos ou mais) e que mantêm a capacidade de se reproduzir no local.

Possível critério prático (passível de revisão):

  • Em toda a "quadrícula" de 1ha estão ausentes as espécies arbóreas ou arbustivas mais abundantes no ecossistema original (carvalhos, medronheiros, urzes, giestas, etc.), excepto eventualmente algum espécime resultante de sementes ou rebentos oriundos das áreas adjacentes não invadidas.

Publicado por mferreira mferreira, 06 de outubro de 2020, 11:58 AM

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